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Inteligência Artificial na Educação: Transformando Aprendizagens

  • Foto do escritor: Alessandra Nunes Ferreira de Oliveira
    Alessandra Nunes Ferreira de Oliveira
  • 23 de jul.
  • 16 min de leitura

Atualizado: 16 de ago.

Introdução


A rápida expansão da Inteligência Artificial (IA) na Educação Básica tem provocado profundas transformações nas formas de produzir conhecimento, comunicar-se, pesquisar e aprender. Ferramentas baseadas em modelos de linguagem, sistemas de recomendação e algoritmos inteligentes passaram a integrar o cotidiano de milhões de pessoas. Isso modifica práticas sociais, profissionais e educacionais. Nesse contexto, a escola é desafiada a assumir um papel protagonista na formação de estudantes capazes de compreender criticamente essas tecnologias. É fundamental que utilizem-nas de maneira ética e desenvolvam competências que lhes permitam atuar de forma autônoma em uma sociedade cada vez mais digital.


A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a cultura digital como uma das competências essenciais da Educação Básica. Ela estabelece que os estudantes devem compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (BRASIL, 2018). Essa orientação evidencia que a integração da Inteligência Artificial ao ambiente escolar não deve restringir-se ao ensino operacional de ferramentas digitais. Deve constituir-se como uma oportunidade para promover o pensamento crítico, a autoria, a resolução de problemas e a produção colaborativa do conhecimento.


Sob essa perspectiva, Paulo Freire (1996) compreende a educação como um processo de emancipação humana. Ensinar não significa transferir conhecimentos prontos, mas criar condições para que os sujeitos construam saberes por meio da reflexão crítica sobre a realidade. Aplicada ao contexto da Inteligência Artificial, essa concepção reforça que o uso dessas tecnologias possui sentido pedagógico quando favorece o diálogo, a investigação, a curiosidade epistemológica e a autonomia intelectual dos estudantes. É preciso evitar práticas mecânicas de reprodução de informações.


No campo das tecnologias educacionais, Moran (2015) defende que as tecnologias digitais ampliam as possibilidades de aprendizagem quando incorporadas por meio de metodologias ativas. Nelas, o estudante assume papel central na construção do conhecimento. Para o autor, recursos tecnológicos devem ser utilizados como instrumentos que potencializam experiências investigativas, colaborativas e autorais. Isso torna a aprendizagem mais significativa e conectada aos desafios da contemporaneidade.


Em consonância com essa perspectiva, Kenski (2012) argumenta que a simples presença de recursos tecnológicos na escola não garante inovação pedagógica. A efetividade das tecnologias depende da intencionalidade didática do professor, da organização das situações de aprendizagem e da capacidade de transformar os recursos digitais em instrumentos que favoreçam a interação, a construção coletiva do conhecimento e o desenvolvimento de competências cognitivas complexas.


Valente (2019) complementa essa discussão ao afirmar que as tecnologias digitais precisam ser compreendidas como mediadoras da aprendizagem, e não como substitutas da atividade intelectual humana. O uso pedagógico das tecnologias deve estimular a investigação, a resolução de problemas, a criatividade e a reflexão crítica. Isso permite que os estudantes desenvolvam autonomia para interpretar, selecionar e produzir informações em diferentes contextos.


Especificamente no campo da Inteligência Artificial aplicada à educação, Luckin et al. (2016) destacam que essas tecnologias possuem potencial para personalizar processos de ensino, apoiar a aprendizagem e ampliar oportunidades educacionais. Isso deve ocorrer desde que utilizadas de forma ética e sob mediação docente. Holmes, Bialik e Fadel (2019) reforçam que a IA pode contribuir para o desenvolvimento de competências do século XXI. Ela favorece práticas pedagógicas mais personalizadas, colaborativas e orientadas por dados, sem substituir o papel do professor como mediador do processo educativo.


Entretanto, a crescente popularização de ferramentas como ChatGPT, NotebookLM e outras plataformas baseadas em Inteligência Artificial também impõe novos desafios à escola. Entre eles, destacam-se a necessidade de desenvolver competências relacionadas à elaboração de comandos (prompts), à avaliação crítica das respostas produzidas pelos sistemas, à verificação da confiabilidade das informações, ao respeito aos direitos autorais e ao uso ético dessas tecnologias. Mais do que ensinar os estudantes a utilizar ferramentas digitais, torna-se necessário desenvolver o letramento em Inteligência Artificial. Isso é compreendido como a capacidade de entender seu funcionamento, reconhecer suas potencialidades e limitações e utilizá-la de forma consciente na resolução de problemas e na produção de conhecimento.


Foi nesse contexto que se desenvolveu a eletiva Inteligência Artificial na Prática, realizada entre os meses de fevereiro e junho de 2026 com estudantes do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental II do Colégio Estadual em Período Integral de Aplicação, no município de Iporá, Goiás. A proposta pedagógica articulou práticas de leitura, escrita, pesquisa escolar e produção textual ao uso de ferramentas de Inteligência Artificial, como ChatGPT, NotebookLM e Wayground. Compreendemos essas tecnologias como instrumentos mediadores da aprendizagem e não como substitutas do pensamento humano.


Este relato de prática pedagógica tem por objetivo apresentar a experiência desenvolvida ao longo da eletiva. Vou descrever o percurso metodológico adotado, as atividades realizadas, os recursos tecnológicos empregados, os desafios enfrentados e os resultados observados no desenvolvimento das competências de leitura, escrita, pesquisa, pensamento crítico e uso ético da Inteligência Artificial. Ao compartilhar essa experiência, pretendo contribuir para o debate sobre a inserção da IA na Educação Básica. Quero oferecer subsídios para que outros professores possam desenvolver práticas pedagógicas inovadoras, críticas e socialmente comprometidas.


Contextualização da experiência


A experiência foi desenvolvida por meio da eletiva Inteligência Artificial na Prática, realizada entre os meses de fevereiro e junho de 2026, no Colégio Estadual em Período Integral de Aplicação, localizado no município de Iporá, Goiás. A eletiva integra a parte diversificada do currículo do Ensino Fundamental II e atendeu estudantes do 6º e 7º anos, com encontros semanais de duas aulas consecutivas, totalizando aproximadamente quarenta horas de atividades presenciais.


A proposta surgiu da necessidade de aproximar a escola das transformações provocadas pela Inteligência Artificial na sociedade contemporânea. Embora os estudantes utilizassem diariamente dispositivos móveis, redes sociais, plataformas de vídeo e mecanismos de busca, observou-se que esse contato ocorria predominantemente de forma intuitiva e recreativa. Não havia uma compreensão mais ampla sobre o funcionamento dos algoritmos, das ferramentas de Inteligência Artificial e de suas implicações éticas, sociais e educacionais.


O diagnóstico inicial, realizado por meio de rodas de conversa e questionamentos sobre os conhecimentos prévios da turma, evidenciou que a maioria dos estudantes associava a Inteligência Artificial apenas à ideia de "robôs inteligentes" ou de sistemas capazes de responder automaticamente às perguntas. Poucos conheciam ferramentas de IA generativa e nenhum havia utilizado plataformas como ChatGPT ou NotebookLM como recursos de apoio aos estudos, à pesquisa escolar ou à produção textual. Essa realidade revelou uma lacuna importante entre o uso cotidiano das tecnologias digitais e o desenvolvimento do letramento digital necessário para uma atuação crítica e consciente em uma sociedade cada vez mais mediada por sistemas inteligentes.


Diante desse cenário, a eletiva foi concebida com o propósito de integrar a Inteligência Artificial às práticas pedagógicas de Língua Portuguesa. Compreendemos a tecnologia como um recurso mediador do processo de ensino e aprendizagem. Mais do que apresentar novas ferramentas digitais, buscou-se criar situações de aprendizagem em que os estudantes fossem desafiados a ler, pesquisar, interpretar informações, elaborar perguntas, produzir textos, revisar suas produções e refletir criticamente sobre o papel da IA na construção do conhecimento.


As atividades foram organizadas de forma progressiva, respeitando o desenvolvimento dos estudantes e articulando momentos de estudo teórico, aulas práticas, pesquisas orientadas, desafios colaborativos, atividades gamificadas e produção textual. Durante o percurso, foram explorados temas como conceitos básicos de Inteligência Artificial, algoritmos, engenharia de prompts, ética digital, confiabilidade das informações, autoria, direitos autorais e utilização pedagógica de ferramentas como ChatGPT, NotebookLM e Wayground.


Desde o primeiro encontro, estabeleceu-se um princípio que norteou todas as atividades desenvolvidas ao longo da eletiva: a Inteligência Artificial não substitui o pensamento humano, mas amplia as possibilidades de aprendizagem quando utilizada de forma ética, crítica e responsável. Essa concepção esteve presente em todas as propostas didáticas. Incentivamos os estudantes a compreenderem que a tecnologia deve atuar como apoio à investigação, à criatividade e à construção do conhecimento, e não como mecanismo de reprodução automática de respostas.


Ao longo do projeto, procurou-se desenvolver competências relacionadas à cultura digital, ao pensamento crítico, à pesquisa escolar e às práticas de leitura e escrita. Isso está em consonância com as Competências Gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente aquelas que tratam da comunicação, da cultura digital, da argumentação e da responsabilidade no uso das tecnologias. Dessa forma, a eletiva buscou contribuir para a formação de estudantes mais autônomos, protagonistas e preparados para utilizar a Inteligência Artificial de maneira consciente nos diferentes contextos de aprendizagem.


O primeiro contato com a Inteligência Artificial


As primeiras aulas da eletiva foram dedicadas à construção de conhecimentos básicos sobre Inteligência Artificial e ao levantamento dos conhecimentos prévios dos estudantes. Antes da apresentação de qualquer ferramenta digital, buscou-se compreender como os alunos percebiam a IA e quais experiências já possuíam com esse tipo de tecnologia.


A atividade inicial foi conduzida por meio de uma roda de conversa. Os estudantes responderam à seguinte questão norteadora: "O que é Inteligência Artificial?" As respostas evidenciaram concepções bastante diversificadas, geralmente influenciadas por filmes, jogos eletrônicos e redes sociais. Expressões como "é um robô inteligente", "é um computador que sabe tudo" e "é uma máquina que faz o trabalho das pessoas" apareceram com frequência. Isso demonstrou uma compreensão limitada acerca do funcionamento dessas tecnologias.


A partir desse diagnóstico, promovemos discussões coletivas e atividades investigativas que abordaram conceitos fundamentais relacionados à Inteligência Artificial. Discutimos sua definição, funcionamento, formas de aprendizagem, aplicações no cotidiano e diferenças entre sistemas de IA e mecanismos tradicionais de busca na internet. Também foram explorados os conceitos de algoritmo, aprendizado de máquina e personalização de conteúdos digitais, utilizando exemplos próximos da realidade dos estudantes.


Durante essas discussões, os alunos identificaram que diversas plataformas utilizadas diariamente, como YouTube, TikTok, Instagram, Netflix, Spotify, Google Maps e assistentes virtuais, utilizam algoritmos de Inteligência Artificial para recomendar conteúdos e personalizar a experiência do usuário. Essa descoberta despertou grande curiosidade e motivação. Muitos passaram a compreender que conviviam diariamente com a IA sem perceber sua presença.


Outro aspecto amplamente discutido foi o impacto social dessas tecnologias. Os estudantes refletiram sobre como os algoritmos influenciam escolhas, hábitos de consumo, acesso às informações e até mesmo a formação de opiniões. Essas reflexões possibilitaram compreender que a Inteligência Artificial não representa apenas um recurso tecnológico. É um fenômeno que modifica as relações sociais, a produção do conhecimento e a forma como as pessoas interagem com o mundo digital.


Esse primeiro momento constituiu a base conceitual da eletiva e contribuiu para desenvolver uma postura investigativa diante das tecnologias digitais. Estimulamos os estudantes a questionarem o funcionamento das ferramentas antes de simplesmente utilizá-las.


Aprendendo a conversar com a Inteligência Artificial: a construção de prompts


Após compreenderem os conceitos fundamentais sobre Inteligência Artificial, os estudantes iniciaram as primeiras atividades práticas utilizando o ChatGPT no Chromebook. Antes de explorar as potencialidades da ferramenta, discutimos um princípio que acompanhou toda a eletiva: a qualidade das respostas produzidas pela Inteligência Artificial depende, em grande medida, da qualidade das perguntas elaboradas pelo usuário.


Essa discussão introduziu um dos conteúdos considerados centrais da proposta pedagógica: a elaboração de prompts. Esses comandos ou instruções orientam o comportamento da Inteligência Artificial durante uma interação.


Inicialmente, os estudantes produziram comandos livres para observar como o sistema respondia a solicitações pouco detalhadas. Foram elaborados prompts bastante genéricos, como: "Faça um texto sobre IA." Ao analisarem coletivamente as respostas produzidas, perceberam que os resultados eram superficiais, pouco contextualizados e nem sempre atendiam às expectativas da atividade.


A partir dessa constatação, realizamos oficinas práticas sobre engenharia de prompts. Os estudantes aprenderam que um bom comando precisa apresentar contexto, objetivo, público-alvo, formato desejado, linguagem adequada e informações suficientes para orientar a geração da resposta.


Após essa intervenção, os comandos passaram a ser elaborados de forma muito mais detalhada. Por exemplo: "Explique o que é IA para estudantes do 6º ano utilizando linguagem simples, exemplos do cotidiano e um pequeno resumo ao final." A comparação entre as diferentes respostas permitiu que os próprios estudantes identificassem como pequenas alterações na formulação do prompt produziam mudanças significativas na qualidade das informações apresentadas pela Inteligência Artificial.


Mais do que aprender a utilizar uma ferramenta tecnológica, os estudantes compreenderam que elaborar bons prompts exige leitura atenta, clareza de objetivos, domínio da linguagem escrita e capacidade de organizar o pensamento de forma lógica. Nesse sentido, a atividade extrapolou o ensino da tecnologia e passou a contribuir diretamente para o desenvolvimento das competências de leitura, escrita, argumentação e planejamento textual.


Pesquisando com o NotebookLM


À medida que os estudantes ampliavam sua familiaridade com a Inteligência Artificial, foram apresentados ao NotebookLM como uma ferramenta voltada ao apoio à pesquisa e aos estudos.


Inicialmente, discutimos que pesquisar não significa apenas copiar informações encontradas na internet. Foram abordadas estratégias de seleção de fontes, leitura crítica, identificação das ideias principais e organização das informações antes da produção de qualquer texto.


Durante as atividades, os estudantes aprenderam a inserir documentos na plataforma e a utilizá-los como base para formular perguntas, produzir resumos, criar infográficos, apresentações, esclarecer dúvidas e organizar informações para os estudos. Essa experiência possibilitou compreender uma diferença importante entre o NotebookLM e os sistemas tradicionais de IA generativa. Enquanto o ChatGPT pode recorrer ao conhecimento geral de seu modelo, o NotebookLM fundamenta suas respostas nos materiais previamente disponibilizados pelo usuário.


Essa característica favoreceu discussões sobre confiabilidade das informações, verificação de fontes e responsabilidade na produção do conhecimento. Isso contribuiu para fortalecer práticas de pesquisa mais criteriosas e alinhadas ao contexto escolar.


Gamificação da aprendizagem com o Wayground


estudantes utilizando a plataforma Wayground na eletiva IA na Prática
Estudantes utilizando a plataforma Wayground na eletiva IA na Prática

Buscando tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico e participativo, diversas atividades de revisão dos conteúdos foram desenvolvidas pelos próprios estudantes, orientados pela professora, utilizando a plataforma Wayground.


Após cada unidade temática, eram elaborados desafios gamificados envolvendo conceitos estudados durante a eletiva, como Inteligência Artificial, algoritmos, ética digital, elaboração de prompts e uso pedagógico das ferramentas digitais.


A dinâmica despertou elevado nível de engajamento entre os estudantes. Eles passaram a acompanhar seu desempenho em tempo real e a discutir coletivamente as respostas apresentadas durante os jogos. Mais do que um instrumento de avaliação, a plataforma foi utilizada como estratégia de aprendizagem. Isso permitiu identificar dúvidas, retomar conceitos e fortalecer a participação ativa dos alunos.


A utilização da gamificação também favoreceu o desenvolvimento da cooperação, da resolução de problemas e da aprendizagem por meio do erro. Esses são aspectos fundamentais para uma educação centrada no protagonismo estudantil.


Ética, autoria e uso responsável da Inteligência Artificial


Ao longo de toda a eletiva, as discussões sobre ética digital estiveram presentes de forma transversal. Os estudantes foram constantemente incentivados a refletir sobre questões relacionadas à autoria, aos direitos autorais, ao plágio, à confiabilidade das informações e aos limites do uso da Inteligência Artificial no contexto escolar.


Foi enfatizado que a IA não deveria ser utilizada para substituir o esforço intelectual do estudante. Ela deve ser uma ferramenta de apoio à pesquisa, à organização das ideias, à revisão textual e ao aprofundamento dos estudos.


Essa perspectiva contribuiu para que os alunos compreendessem que o conhecimento continua sendo construído pelo sujeito que aprende. Nenhuma tecnologia substitui a leitura, a reflexão crítica, a criatividade e a capacidade de argumentação.


Produção textual: escrevendo sobre a própria aprendizagem


Como atividade de produção textual manual, cada estudante foi convidado a produzir um relato pessoal descrevendo sua trajetória de aprendizagem durante a eletiva.


A proposta tinha como objetivo estimular a reflexão sobre o próprio processo formativo. Isso permitiu que os estudantes identificassem os conhecimentos construídos, as dificuldades superadas e as mudanças ocorridas em sua percepção sobre a Inteligência Artificial. Antes da produção final, foram realizadas atividades de planejamento e organização das ideias para auxiliar na escrita.


Os relatos evidenciaram avanços significativos na compreensão do funcionamento da IA, na elaboração de prompts, na realização de pesquisas mais qualificadas e, principalmente, na percepção de que a tecnologia deve ser utilizada como instrumento para potencializar a aprendizagem. Ela não deve ser um mecanismo de substituição do pensamento humano. Além disso, observou-se maior segurança na produção escrita, ampliação do vocabulário e desenvolvimento de uma postura mais crítica diante das informações produzidas por sistemas inteligentes.


A produção desses relatos constituiu um importante momento de metacognição. Isso permitiu que os estudantes refletissem sobre sua própria aprendizagem e reconhecessem o conhecimento construído ao longo da eletiva.


Culminância da eletiva: protagonismo estudantil, divulgação científica e interação com a comunidade escolar


A culminância da eletiva Inteligência Artificial na Prática representou a consolidação de todo o percurso formativo desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2026. Esse momento constituiu-se como uma oportunidade de socialização das aprendizagens, valorização do protagonismo estudantil e aproximação entre escola e comunidade.


Como atividade final, os estudantes foram organizados em equipes para planejar e produzir apresentações digitais utilizando a plataforma Canva. O objetivo consistiu em sistematizar os conhecimentos construídos durante a eletiva. Eles apresentaram, de forma criativa e acessível, os principais conceitos estudados, as ferramentas exploradas e as experiências vivenciadas ao longo das aulas.


Além da elaboração das apresentações, os próprios estudantes participaram da organização de um estande temático destinado à exposição do projeto durante a cerimônia de culminância do Colégio Estadual em Período Integral de Aplicação. O espaço foi estruturado para receber os visitantes e favorecer a interação com a comunidade escolar. No estande, uma televisão foi utilizada para projetar continuamente as apresentações produzidas pelos estudantes. Isso permitiu que professores, familiares, colegas e demais visitantes acompanhassem o percurso formativo desenvolvido durante a eletiva.


A cerimônia de culminância foi realizada no dia 25 de junho de 2026 e reuniu gestores, professores, estudantes, pais e representantes da comunidade escolar. Durante o evento, os estudantes que mais se destacaram ao longo da eletiva foram escolhidos para representar a turma e apresentar publicamente os resultados da experiência pedagógica.


Ao assumirem a condução da apresentação, os estudantes explicaram conceitos relacionados à Inteligência Artificial, algoritmos, engenharia de prompts, ética digital e uso pedagógico de ferramentas como ChatGPT, NotebookLM e Wayground. Também compartilharam exemplos das atividades realizadas durante as aulas e relataram como a eletiva contribuiu para modificar sua forma de pesquisar, estudar e utilizar as tecnologias digitais no cotidiano.


Um dos momentos de maior participação do público ocorreu ao final das apresentações. Os próprios estudantes organizaram uma atividade gamificada destinada aos visitantes do estande. Foi elaborado um quiz contendo perguntas sobre os conceitos de Inteligência Artificial abordados durante a eletiva. Cada participante tinha que escolher entre a cor verde e vermelha. A cor verde significava verdadeiro e vermelho falso.


Professores, estudantes de outras turmas, familiares e demais visitantes foram convidados a participar do desafio. Eles responderam às questões propostas e testaram seus conhecimentos sobre Inteligência Artificial, ética digital, algoritmos e uso responsável das tecnologias. A dinâmica promoveu um ambiente de aprendizagem colaborativa. Isso despertou curiosidade, estimulou o diálogo e aproximou a comunidade escolar das discussões relacionadas à cultura digital.


A condução da atividade pelos próprios estudantes evidenciou o desenvolvimento de competências que extrapolam os conteúdos curriculares. Durante todo o processo, eles exerceram funções de planejamento, organização, comunicação, mediação e orientação do público. Assim, assumiram efetivamente o papel de protagonistas da aprendizagem. Mais do que apresentar um trabalho concluído, tornaram-se multiplicadores do conhecimento construído ao longo da eletiva.


Sob a perspectiva pedagógica, a culminância reafirmou a importância de atribuir significado social às aprendizagens escolares. Ao compartilhar seus conhecimentos com diferentes públicos e criar oportunidades para que os visitantes também participassem de experiências interativas, os estudantes fortaleceram competências relacionadas à comunicação oral, argumentação, trabalho colaborativo, criatividade, resolução de problemas e responsabilidade no uso das tecnologias digitais.


Essa experiência evidencia que práticas pedagógicas fundamentadas no protagonismo estudantil e na aprendizagem ativa potencializam a construção do conhecimento. Elas ampliam o alcance das ações educativas para além da sala de aula. Ao transformar os estudantes em mediadores e divulgadores do conhecimento, a culminância consolidou os objetivos da eletiva. Demonstrou que a Inteligência Artificial pode ser incorporada à Educação Básica como instrumento para promover autoria, inovação, participação social e formação cidadã.


Resultados e reflexões pedagógicas


O desenvolvimento da eletiva Inteligência Artificial na Prática evidenciou que a inserção planejada e intencional da IA no contexto escolar pode ampliar significativamente as possibilidades de aprendizagem. Isso ocorre quando articulada aos objetivos curriculares e mediada pela atuação do professor. Ao longo dos cinco meses de atividades, observou-se uma evolução gradual na forma como os estudantes compreendiam e utilizavam as ferramentas digitais. Eles passaram de uma visão predominantemente instrumental para uma postura mais crítica, reflexiva e consciente.


No início da eletiva, a maioria dos estudantes associava a Inteligência Artificial apenas à capacidade de responder perguntas ou executar tarefas automaticamente. À medida que as atividades foram sendo desenvolvidas, essa compreensão tornou-se mais ampla. Os alunos passaram a reconhecer a IA como uma tecnologia construída por seres humanos, baseada em algoritmos, alimentada por dados e sujeita a limitações, vieses e possibilidades de erro. Essa mudança de percepção contribuiu para o fortalecimento do pensamento crítico e para uma utilização mais responsável dessas ferramentas.


Outro aspecto relevante foi o desenvolvimento do letramento digital e do letramento em Inteligência Artificial. Durante as oficinas práticas, os estudantes compreenderam que o uso eficiente dessas tecnologias exige planejamento, clareza de objetivos e capacidade de formular perguntas consistentes. A elaboração de prompts deixou de ser compreendida como uma simples instrução para a máquina. Passou a constituir um exercício de organização do pensamento, seleção de informações e produção textual. Nesse processo, observou-se que habilidades tradicionalmente relacionadas à Língua Portuguesa — como leitura, interpretação, escrita, revisão e reescrita — tornaram-se indispensáveis para uma interação qualificada com os sistemas de IA.


Também foram percebidos avanços nas práticas de pesquisa escolar. Antes da eletiva, muitos estudantes limitavam-se a copiar informações encontradas em mecanismos de busca ou em sites da internet. Ao longo das atividades, passaram a discutir a confiabilidade das fontes consultadas, comparar diferentes respostas produzidas pelas ferramentas de Inteligência Artificial, identificar possíveis inconsistências e reconhecer a importância da validação das informações antes de utilizá-las em seus trabalhos escolares. Embora esse processo ainda demande continuidade, os estudantes demonstraram maior consciência sobre a necessidade de analisar criticamente os conteúdos produzidos por sistemas automatizados.


A utilização do ChatGPT e do NotebookLM mostrou-se particularmente significativa para o desenvolvimento da autonomia intelectual. Em vez de receber respostas prontas como produto final da aprendizagem, os estudantes foram constantemente incentivados a utilizar essas ferramentas como apoio para compreender conceitos, organizar ideias, revisar textos e aprofundar pesquisas. Essa mediação pedagógica contribuiu para que a Inteligência Artificial fosse percebida como recurso auxiliar na construção do conhecimento e não como substituta do processo de aprendizagem.


Outro resultado observado refere-se ao aumento do engajamento dos estudantes durante as aulas. A utilização de recursos tecnológicos próximos da realidade dos alunos, associada às atividades gamificadas desenvolvidas por meio da plataforma Wayground, favoreceu maior participação, colaboração entre os colegas e envolvimento nas propostas pedagógicas. As estratégias de gamificação estimularam a resolução de problemas, a cooperação e a aprendizagem a partir do erro. Isso tornou o processo avaliativo mais dinâmico e formativo.


A culminância da eletiva, materializada na produção de um relato pessoal sobre as aprendizagens construídas ao longo do semestre, possibilitou aos estudantes refletirem sobre seu próprio percurso formativo. Os textos produzidos evidenciaram que muitos passaram a compreender a Inteligência Artificial não apenas como uma inovação tecnológica, mas como uma ferramenta capaz de apoiar os estudos. Isso deve ocorrer desde que utilizada de forma ética, consciente e responsável. Nos relatos, foram recorrentes referências à importância da elaboração de bons prompts, da verificação das informações, do respeito à autoria e da necessidade de manter o pensamento crítico durante a interação com as ferramentas digitais.


Sob a perspectiva docente, a experiência também proporcionou importantes aprendizagens. Ficou evidente que a integração da Inteligência Artificial ao currículo exige planejamento, intencionalidade pedagógica e acompanhamento constante do professor. O simples acesso às ferramentas não garante aprendizagem significativa. É a mediação docente que transforma recursos tecnológicos em oportunidades de investigação, diálogo, produção de conhecimento e desenvolvimento de competências previstas na Base Nacional Comum Curricular.


Os resultados observados durante a eletiva corroboram as reflexões de Freire (1996). Elas reafirmam que a aprendizagem ocorre quando o estudante participa ativamente da construção do conhecimento. Dialogam com Moran (2015) e Valente (2019), ao evidenciarem o potencial das metodologias ativas associadas às tecnologias digitais. Confirmam a perspectiva de Kenski (2012), segundo a qual a inovação pedagógica não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é integrada às práticas educativas.


Embora esta experiência esteja restrita a um contexto específico e não tenha sido concebida como pesquisa de caráter experimental, os resultados obtidos indicam que a utilização pedagógica da Inteligência Artificial pode contribuir para o desenvolvimento da leitura, da escrita, da pesquisa escolar, da autonomia intelectual e do pensamento crítico dos estudantes. Nesse sentido, experiências dessa natureza representam caminhos promissores para a construção de práticas pedagógicas inovadoras. Elas estão alinhadas às demandas da cultura digital e aos desafios da educação contemporânea. Isso reafirma o papel da escola na formação de cidadãos capazes de utilizar as tecnologias digitais com responsabilidade, ética e compromisso social.


Referências


BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 67. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

HOLMES, Wayne; BIALIK, Maya; FADEL, Charles. Artificial Intelligence in Education: Promises and Implications for Teaching and Learning. Boston: Center for Curriculum Redesign, 2019.

KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. 8. ed. Campinas: Papirus, 2012.

LUCKIN, Rose et al. Intelligence Unleashed: An Argument for AI in Education. London: Pearson Education, 2016.

MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 5. ed. Campinas: Papirus, 2015.

VALENTE, José Armando. Tecnologias digitais, cultura digital e educação: desafios e possibilidades para a aprendizagem. Campinas: NIED/UNICAMP, 2019.

GOOGLE. Guia de Prompting. Disponível em: https://www.cloudskillsboost.google. Acesso em: 20 jul. 2026.

UNESCO. Guidance for Generative AI in Education and Research. Paris: UNESCO, 2023.

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Parabéns professora pelo trabalho!

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